Viajando na Viagem

Esse é o meu primeiro post, então acho que devo explicar porque resolvi criar um blog sobre viagens. Aos 15 anos, quando voltei da minha primeira viagem internacional, percebi o quanto viajar me satisfazia. E tenho feito de tudo para continuar, trabalhando, economizando, para sempre poder ir a locais diferentes.  Sempre gostei de escrever, minha vida toda escrevia histórias, contos, diários entre outras coisas. Mas de um tempo para cá, não tinha achado um tema que me interessasse tanto, que me fizesse dispender tempo para pesquisar sobre ele Até que… decidi fazer minha primeira viagem pela Europa.  Passei tanto tempo pesquisando destinos, passagens, maneiras de economizar, entre outras coisas, que achei que deveria compartilhar o que descobri com mais pessoas. Além do blog ser uma maneira de manter contato com os queridos daqui do Brasil, enquanto estiver fora.

Deixo aqui um texto que expressa o que significa viajar para mim. É a introdução do livro Viaje na Viagem de Ricardo Freire, que td viajante de primeira viagem precisa conhecer.

Viajando na Viagem – Ricardo Freire
 
Toda viagem é uma extravagância.
Seja você pobre, remediado ou rico, viajar sempre significa viver temporariamente muito além de suas posses.  Esse é o barato — e o caro — de qualquer viagem. Multiplicando a diária do seu hotel por 30 você vai ver que na vida real nunca poderia pagar isso tudo de aluguel. Basta computar seus gastos diários com refeições para ter um treco imaginando quantos supermercados a mais daria para fazer no mês. Você pode até já ter se acostumado com o preço das passagens aéreas, mas se calcular quanto custa a hora afivelado naquela poltrona, você vai querer que uma máscara de oxigênio caia automaticamente do compartimento acima de sua cabeça. E isso vale para todo mundo. Metade da primeira classe deveria estar viajando na executiva, grande parte da executiva deveria estar na econômica, e a econômica inteira deveria ter ficado em casa.

Mesmo assim, viajamos. Viajamos para fugir de tudo. E para ter saudade de casa. Viajamos para descansar. E para voltar mais cansados do que fomos. Viajamos para nos livrar das obrigações de todo dia. E para ter a obrigação de visitar dois museus e três monumentos todo dia. Viajamos para experimentar coisas diferentes, e para ter dor de barriga. Para comprar o que não precisamos e pagar com o que não temos. Para entrar em igreja e andar de metrô. Para não entender os outdoors, para desobedecer alto-falantes e para nos equivocar com cardápios. Para gentilmente pedir a desconhecidos que tirem fotos que depois vamos obrigar os conhecidos a ver. Para investigar se os McDonald’s que lá gorjeiam não gorjeiam como cá. Para fazer extensos tratados sociológicos sobre povos estranhos já no primeiro dia de estada. Para na volta ter quilos de histórias para contar e toneladas de quilos para perder.

Nada é tão motivador como a possibilidade de viajar. Na expectativa de uma viagem, pedidos de demissão são engavetados, casamentos são prorrogados, filhos são adiados. Em casos mais extremos, casas próprias deixam de ser compradas, carros escapam de ser trocados, videocassetes se conformam com menos cabeças que o do vizinho. Tanto sacrifício tem uma recompensa garantida: pouco a pouco você vai se tornando um sujeito “viajado”. E não existe nenhum adjetivo mais charmoso, nenhuma qualidade tão sem contra-indicações quanto ser “viajado”. Ser viajado é mais simpático do que ser “culto”, mais interessante do que ser “inteligente” — e quase tão bacana quanto ser “rico”.

 Mas ninguém viaja por interesse. Até porque, depois do sexo, viajar é a diversão interativa mais antiga de que se tem notícia. Além de serem as duas coisas mais prazerosas da vida — e funcionarem esplendidamente em conjunto — sexo e viagem compartilham inúmeras outras semelhanças. Não importa o que digam os interneteiros, o certo é que ambos só se realizam plenamente ao vivo. Um costuma durar pelo menos 30 minutos, a outra pode durar até 30 dias, mas a sensação é que tudo passa depressa demais, não foi? É bom quando é inesperado, tem seu valor quando é rapidinho, há quem goste quando não existe compromisso. Porém, assim como no sexo, nada faz tão bem a uma viagem como a combinação de três fatores:

 • desejo;

• envolvimento;

• preparação.

 A viagem acalentada, cortejada, paquerada (quanto mais difícil, melhor), carinhosamente pesquisada (uma espécie assim de namoro), com uma preparação dedicada e minuciosa (o equivalente das preliminares), sem dúvida dá muito mais satisfação — e uma satisfação mais duradoura — do que aquela viagem que você mal conheceu e já quer levar para o aeroporto.

1 comentário Adicione o seu

  1. Priscila disse:

    Amiga, lindo o texto…Condiz realmente com tudo o que vc tá vivendo…que bom..

    E eu tb…hihihhi

    Bjao

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